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domingo, 13 de março de 2011
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Re-sentimento
Pegue sua raiva. Ponha-a em um recipiente. Guarde-a. Deixe-a destilando por algum tempo. Não, não despeje-a imediatamente, substância turva, azeda, vômito incontido. Deixe-a quieta. Olhe de longe para ela, analise-a, resguardando-se - o tanto quanto isto for possível! Separe os elementos mais sólidos dos fluidos. Quando percebê-los com nitidez, escolha os mais interessantes. Ou os mais repugnantes. Ou os esquisitos. Os mais desagradáveis. Ou os viscosos. Dê, aos eleitos, outro destino. Um lugar simbólico, de significação própria. Transforme-os. Componha um texto, crie uma imagem. Faça nascer um conto, uma história, uma poesia. Não se desfaça do sentimento. Faça com que ele seja impiedosamente seu e, sobretudo, sedativamente belo. Transforme a raiva em ouro. Permita nascer o verbo.
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