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domingo, 13 de novembro de 2011

Meu primeiro amor

Muito me ensinou meu primeiro amor.

Ensinou-me que amar é tarefa para uma vida
E que, mesmo quem ama, não está isento de cometer erros.
Que os erros que cometemos não são imperdoáveis.
E que o desejo do amor e do reconhecimento persistirá, não importa nossa idade.

Ensinou-me que devemos ser gratos para com os presentes da vida.
Corretos e justos com os que passam pelo caminho.
E tolerantes com as surpresas indesejáveis que se apresentam.

Ensinou-me a verdade, mesmo quando ela dói.
A persistir nos sonhos, mesmo quando os sentimos inalcançáveis.
Ensinou-me a ter compaixão e simplicidade.
Ensinou-me que a paciência é uma virtude a ser cultivada nos momentos mais urgentes.

Ensinou-me que o amor se multiplica e se distribui
E que é a maior herança que deixamos, inigualável.
Ensinou a amar meus filhos, a cuidar deles de corpo e alma
E a educá-los, mesmo quando discordei dos métodos adotados.

Ensinou-me a ficar calada quando as palavras não fazem sentido
E a falar, quando o silêncio se faz pesado a nossa volta.
Ensinou-me a rir das bobagens sem importância.
E a chorar, mesmo sob olhares de desaprovação e crítica.

Ensinou-me a andar de bicicleta.
A pregar botões e costurar pequenos defeitos nas roupas.
Ensinou-me a gostar de ler belos livros.
E a cozinhar os pratos que hoje preparo para os meus filhos.

Ensinou-me que um abraço é um recanto para o desespero
E que a distância é cruel, mas grande mestra.
Que a saudade chora a solidão dos pensamentos
E que, para crescermos, temos que contar, às vezes, apenas conosco mesmos.

Meu pai e minha mãe
Mestres e exemplos de muitas aprendizagens de minha vida
Que fizeram de mim grande parte do que sou...
Amo vocês!

domingo, 6 de março de 2011

De quando fomos pequenos


Gostava de bicicleta e lembra quando aprendeu a andar em apenas duas rodas, sem apoio. Gostava do sol e dos dias de verão. Do clube, nos fins de semana e da praia, nas férias. Dos pastéis, comprados quentes na feira. Dos sorvetes de palito da padaria. Das idas à pizzaria com frequência. Dos passeios ao shopping, apenas para um lanchinho. Das idas a São Paulo para visitar os parentes. Das sopas feitas pela mãe em dias frios, à noite. Das viagens a Campos do Jordão, em julho.
De brincar com uma grande lousa, escrevendo tudo o que aprendia na escola. De brincar de super heróis, com as irmãs, no jardim de casa. De andar atrás do gato (apesar da terrível alergia que isso lhe custava). De contar piadas bobas. De assistir a Fantástica Fábrica de Chocolate todos os finais de ano. De ler Agatha Christie, um pouco mais velha, em dias chuvosos.
Gostava do Natal e de dormir tarde no réveillon. De ter trinta dias de férias no meio do ano. Gostava de quando suas primas iam dormir em sua casa e de quando podiam adiar o sono por conta disto. De ir à escola e do intervalo com as amigas. Das bonecas e das arrumações para brincar de casinha. De ver seu avô dando corda no relógio cuco. De ouvir sua mãe contar histórias de sua infância e das orações, feitas todas as noites antes de dormir. Dos bolos de laranja de sua avó e de sua antiga geladeira Frigidaire. De ir ao cinema, assistir os Trapalhões. De dançar no teatro, nos finais de ano, o que ensaiara nas aulas de ballet. De jogar Atari na casa dos primos. Dos bifes cortados em pequenos pedaços pelo seu pai. Das brincadeiras de esconde-esconde com uma grande turma na rua. Dos passeios em família.

Os anos passam e muitas coisas ficam no passado: os parentes que morreram, as pessoas que não mais encontramos, os lugares aonde nunca mais estivemos. Tudo, entretanto, permanece na memória. Pequenas coisas, singelas histórias, estranhas lembranças. Um pouco do que temos, muito do que somos. O que seremos para os nossos filhos e em tudo o que ficará depois de nós.