"Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que eu não tenho tido tempo de chorar..."
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Ensaio sobre o amor
"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você..."
Como é grande o meu amor por você..."
Não por acaso acordei com esta música na cabeça hoje. Não sou fã de Roberto Carlos e acho muitas de suas músicas piegas, mas às vezes, mesmo os autores de que não gostamos traduzem o que sentimos de forma exata.
Não é simples falar sobre o amor e todas as suas nuances, porque amor não é um sentimento único, exato e igualmente sentido por e para todos. O amor romântico é um sentimento que mistura admiração, desejo, cumplicidade. Que pede correspondência e, para os que se envolvem seriamente, construção do futuro, filhos, fidelidade. Os amores filial e fraternal também incluem admiração e cumplicidade, mas são recheados de ciúmes, de expectativas, de desejo de acolhimento e reconhecimento.
O amor maternal só pode ser definido por quem o sentiu. É eterno e incondicional. Todas as dores de um filho são sentidas na carne por uma mãe ou um pai. A primeira vacina que tomou meu pequeno, quando bebê, fez verter lágrimas incontroláveis dos meus olhos. A dor causada por aquela minúscula agulha foi como uma faca empunhada em meu peito.
Amar não é tarefa fácil porque o amor não é um sentimento simples. É grandioso, mas nos apequena. É claro, mas nos confunde. É nobre, mas nos torna vulneráveis. É forte, mas, muitas vezes, nos sentimos enfraquecidos por sua força. Porque amar nos deixa com medo. Medo de perder o objeto do amor, medo de que a pessoa que amamos se machuque, medo de que a própria vida se encarregue de transformá-lo num fardo.
Apesar da complexidade e das contradições que envolvem esse sentimento, não há como passar pela vida sem amar. E sem sentir-se amado. Talvez, seja a essência de estar no mundo e de estar entre as pessoas.
Saber lidar com esse sentimento (e com tudo o que o envolve e o torna ainda menos simples) é tarefa para uma vida inteira. E situações que nos são indesejáveis, por vezes, nos fazem refletir profundamente sobre ele. A distância, em especial, coloca-o sempre na pauta do dia. A ausência nos faz perceber as coisas por perspectivas únicas. Afastar-se do objeto do amor significa não se deixar envolver apenas pelas pequenezas que nos invadem o dia, pelas perturbações que fazem parte da rotina, pelo despertador que nos acorda antes da hora, pelo cansaço que se acumula durante a semana, pela discussão na hora do almoço com o filho, pela preguiça em levantar do sofá nas tardes de domingo. Afastar-se, também, nos traz ansiedade e uma relação diferente com o tempo vivido e com o tempo futuro.
O tempo é a essência dos afastamentos. Amor sem presença, perde a força, torna-se ternura, sentimento mais sutil que o amor. Assim precisa ser para nos mantermos sãos, porque amar o vazio nos enlouqueceria. Afastar-se apenas por um tempo, entretanto, pode fazer brotar algumas sementes em nós. Pode servir para que aprendamos a lidar com o medo que a distância nos traz e que nos turva os olhos e nos entristece a alma. Serve, sobretudo, para aprendermos a tratar com sutileza as pequenas e grandes manifestações que envolvem o amor no dia a dia. Serve para programarmos o reencontro com carinho, eternizando-o em nós.
A razão de sobreviver à distância é sempre o reencontro. Contar os dias nos dedos, no calendário, na mudança das estações. Contar o tempo para novamente poder contar, um ao outro, as histórias da vida.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sobre o tempo
Não é preciso se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta, voltam as pessoas! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é para ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde.
Mas, já não temos mais idade para, drasticamente, usarmos palavras grandiloquentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, aos poucos, fomos aprendendo sobre a continuidade da vida. Já não cometemos gestos tresloucados. Contidamente, continuamos.
E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”.
É o nosso jeito de continuar, o mais eficiente, o que não implica em decisões, apenas em paciência. (adaptado de Caio F. Abreu)
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